IEA vê minério de ferro do Brasil como peça-chave para aço verde europeu.

Ferro produzido com baixa emissão no Brasil pode eliminar custo extra de até 20% do aço verde na Europa, diz relatório.

IEA vê minério de ferro do Brasil como peça-chave para aço verde europeu.

O Brasil pode assumir um papel estratégico na descarbonização da indústria siderúrgica europeia, segundo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia).

A organização aponta que a produção de minério de ferro com baixas emissões no país, associada à exportação de insumos intermediários, pode reduzir de forma significativa o custo do chamado aço verde na Europa.

De acordo com o estudo Energy Technology Perspectives 2026, muitos polos industriais europeus enfrentam dificuldades para produzir aço de baixo carbono a custos competitivos, principalmente devido ao preço mais elevado da energia e às limitações estruturais de algumas plantas industriais.

Paralelamente, a pressão sobre a indústria europeia tem aumentado com o avanço de políticas climáticas mais rígidas, incluindo o mercado de carbono e taxação de produtos intensivos em emissão.

Nesse cenário, a IEA avalia que a importação de insumos produzidos em regiões com energia mais barata e de menor emissão, como o Brasil, pode se tornar uma alternativa mais eficiente.

O relatório destaca que o Brasil reúne vantagens relevantes, como disponibilidade de energia renovável competitiva e infraestrutura já consolidada na cadeia do ferro e do aço.

Com isso, o país poderia produzir ferro com baixa emissão e exportar esse material intermediário para processamento final em siderúrgicas europeias.

Segundo a IEA, nesse cenário, se produtores da Europa Ocidental importassem ferro de baixa emissão produzido no Brasil, o custo adicional do aço verde, hoje estimado em cerca de 20% acima do aço convencional, cairia para níveis próximos à paridade de preços.

Algumas empresas já avançaram nessa direção.

A Vale, por exemplo, lançou briquetes de minério de ferro produzidos com menor intensidade de carbono, que podem reduzir emissões na produção de aço e atender à crescente demanda por insumos siderúrgicos mais limpos.

Outra iniciativa é da britânica Brazil Iron, que desenvolve o projeto Ferro Verde, na Bahia, com foco na produção de minério, pelotas e ferro briquetado de redução direta com baixa emissão, apoiado em energia renovável. O projeto ainda está em desenvolvimento.

Em entrevista à CNN, o vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, Emerson Souza, destacou que a empresa, embora ainda não produza o insumo, já conta com clientes contratados na Europa, o que, segundo ele, reflete a crescente demanda por matérias-primas de menor emissão.

“Nesse contexto, a Brazil Iron se posiciona para atender essa demanda. As obras começam em 2026, com início de operação previsto para 2030. Os primeiros dez anos de produção já estão contratados com clientes estratégicos na Europa e na Ásia”, disse.

Na avaliação do executivo, a tendência deve se intensificar diante da expectativa de crescimento da demanda por insumos de menor emissão.

“A McKinsey & Company estima um déficit de 109 milhões de toneladas de ferro verde já em 2031. É um cenário de escassez que tende a orientar decisões de investimento desde agora”, concluiu Emerson.

Fonte: IEA vê minério de ferro do Brasil como peça-chave para aço verde europeu