Bahia e Ceará se destacam nos investimentos em mineração no Nordeste.

Ceará se destaca num levantamento do IBRAM sobre investimentos em projetos de mineração com fertilizantes, ouro e logística

Bahia e Ceará se destacam nos investimentos em mineração no Nordeste.

Por Ângela Belfort – 15/10/2026

Quatro estados do Nordeste devem receber investimentos estimados em US$ 19,2 bilhões – cerca de R$ 96 bilhões – em projetos de mineração, segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) num período entre 2026 e 2030. Na região, a Bahia vai liderar os investimentos com US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 58 bilhões) e o Ceará, fica em segundo lugar, com estimativa de investimentos de US$ 5,4 bilhões, o que representa cerca de R$ 27 bilhões.

O que chamou a atenção no levantamento foi o Ceará ocupar o quarto lugar no ranking nacional que lista os estados que mais vão receber investimentos do setor. Os projetos do Ceará representam 7,1% do total projetado para o Brasil no período. Bahia, Piauí e Maranhão também aparecem entre os dez estados do País com maiores previsões de investimentos com respectivamente, terceiro, sétimo e décimo lugares na lista.

Os projetos cearenses são voltados principalmente a fertilizantes, mas incluem ouro, logística e investimentos socioambientais, de acordo com o IBRAM. Também estão sendo prospectados a mineração de lítio em algumas cidades do sertão daquele estado. “O Ceará reúne características que podem ampliar sua relevância no cenário mineral brasileiro nos próximos anos, especialmente em segmentos ligados aos minerais críticos e estratégicos e aos insumos para a agricultura. O estado possui potencial para assumir um papel cada vez mais relevante na diversificação da produção mineral nacional”, afirma a gerente de Assuntos Minerários do IBRAM. Aline Nunes.

Segundo a especialista, Um dos aspectos mais estratégicos é o potencial dos minerais associado aos fertilizantes. “O Brasil ainda depende fortemente da importação de insumos essenciais para o agronegócio, e projetos voltados à produção de agrominerais podem contribuir para reduzir essa vulnerabilidade externa, fortalecendo a segurança alimentar e aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro”, comenta. No entendimento do IBRAM, os fertilizantes devem ser tratados como minerais estratégicos, por causa da importância para o desenvolvimento nacional e também para reduzir a dependência das importações.

Aline argumenta também que “o fortalecimento do Ceará e de outros estados produtores também representa um avanço importante para o Brasil. Quanto mais diversificada for a produção mineral brasileira, maior será a capacidade do país de desenvolver cadeias produtivas regionais, atrair investimentos, gerar empregos qualificados e ampliar a resiliência econômica”.

No Nordeste, a Bahia vai liderar os investimentos em mineração

Entre os estados nordestinos, a Bahia vai ter uma participação de 15,2% em todos os investimentos que estão previstos. Entre os alguns projetos de exploração minérios na Bahia estão o minério de ferro, no Projeto Ferro Verde, da Brazil Iron, nos municípios de Piatã, Abaíra e Jussiape; e as terras raras, no Projeto Monte Alto, da Borborema Mineração/Brazilian Rare Earths, em Ubaíra e Jiquiriçá. Também se destacam o níquel, no projeto de expansão subterrânea da Mina Santa Rita, da Atlantic Nickel/Appian Capital Brazil, em Itagibá; e o fosfato, no projeto de mineração, em Irecê, destinado à produção de insumos para fertilizantes. Naquele estado, também já é extraído o cobre.

Na lista dos futuros investimentos do IBRAM em projetos de mineração, o Piauí aparece com projetos da ordem US$ 1,7 bilhão (R$ 8,5 bilhões) e participação de 2,3% no total previsto para o País. O Maranhão está na décima posição, com US$ 546 milhões (R$ 2,7 bilhões), correspondentes a 0,7%. Fora dos dez primeiros, o Rio Grande do Norte tem previsão de projetos orçados em US$ 486 milhões (R$ 2,4 bilhões) com uma participação de 0,6%. Alagoas também consta no levantamento com projetos da ordem US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões).

Para todo o Brasil, o IBRAM estima investimentos de US$ 76,9 bilhões em projetos de mineração entre 2026 e 2030. A previsão é 12,5% superior à apresentada para o período de 2025 a 2029. Desse total, US$ 21,3 bilhões estão previstos para minerais críticos até 2030.

Fonte: www.movimentoeconomico.com.br