Bate-papo sobre o momento ímpar do Brasil no setor de exploração de minerais críticos

O que pensam e opinam executivos da Ero, Potássio do Brasil, Companhia Brasileira de Lítio, Brazil Iron, Borborema Recursos Estratégicos, PLS Brasil, Mineração Taboca e do Ibram

Bate-papo sobre o momento ímpar do Brasil no setor de exploração de minerais críticos

Por Jennifer Ann Thomas, Para o Valor — São Paulo
19/08/2026

Há um paradoxo no centro da corrida brasileira pelos minerais críticos da transição energética. As empresas que hoje tentam tirar do papel projetos de lítio, cobre, terras raras, potássio e ferro verde reúnem reservas de classe mundial, mas esbarram todas no mesmo obstáculo: o financiamento.

Para acessar as linhas de crédito públicas, é preciso oferecer garantias vinculadas a ativos já em operação, algo que uma companhia em fase de instalação ainda não tem. Sem esse colateral, o capital acaba vindo de fora, de bolsas da Austrália e do Canadá, onde o próprio recurso mineral serve de garantia.

O obstáculo não está na geologia. O país tem reservas minerais capazes de abastecer a transição energética, mas cada projeto leva de seis a dez anos para sair do papel, um prazo que afasta o capital e faz o Brasil perder terreno para concorrentes. O BNDES busca alternativas para criar um ecossistema voltado ao financiamento do setor, segundo informa o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do banco, José Luiz Gordon, em reportagem na página 34. Além disso, o país discute um novo marco regulatório para minerais críticos e estratégicos, que promete mais previsibilidade e instrumentos de crédito para novos projetos.

Esses foram alguns dos temas debatidos em uma mesa-redonda promovida pelo Valor com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e conduzida por Francisco Góes, chefe da redação do Valor no Rio de Janeiro, e Celia Rosemblum, editora de Projetos Especiais do Valor. O debate reuniu Eduardo De Come, vice-presidente da Ero; Sérgio Leite, presidente da Potássio do Brasil; Vinícius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio (CBL); Emerson Souza, vice-presidente de relações institucionais da Brazil Iron; Renato Gonzaga, presidente-Brasil da Borborema Recursos Estratégicos; Marisa Cesar, diretora de assuntos corporativos e sustentabilidade da PLS Brasil; Douglas de Souza Baldo, diretor financeiro, de riscos e TI da Mineração Taboca; e Pablo Cesário, diretor-presidente interino do Ibram. A seguir, os principais trechos.

Valor: Quais são as oportunidades e os desafios do Brasil na área de minerais críticos?

Eduardo De Come: O cobre já é reconhecido como o principal condutor de energia. A eletrificação, a energia eólica e solar e, mais recentemente, a inteligência artificial e os data centers vão fazer o consumo mundial saltar de 25 milhões para 40 milhões de toneladas por ano. O Brasil, porém, não é um player relevante. Temos a Vale como principal produtora e empresas menores, como a Ero. Exportamos 100% do que produzimos e importamos 100% do cátodo que a indústria usa para fabricar fios e tubos, o que nos deixa dependentes de uma metalurgia concentrada na China, dona de quase 70% do refino mundial. Vivemos o melhor preço histórico do cobre e, para as empresas, isso não é um problema. Do ponto de vista do país, o governo terá que decidir se quer incentivar a verticalização da cadeia.

Sérgio Leite: O fertilizante ascender à categoria de mineral crítico e estratégico é um passo decisivo, que mostra à sociedade uma assimetria que poucos conhecem. Hoje importamos 95% do potássio que consumimos, mesmo sendo o país que mais alimenta o mundo em proteína. O projeto que construímos em Autazes, no Amazonas, deve reduzir essa dependência para cerca de 70% e muda a lógica de entrega. O potássio leva de 100 a 120 dias para chegar ao centro consumidor, vindo do Canadá, Rússia e Bielorrússia. Com Autazes, cai para três ou quatro dias, uma agregação de valor ligada à segurança alimentar do país.

Vinícius Alvarenga: O lítio enfrenta as mesmas dificuldades de toda a mineração brasileira. Carga tributária alta, legislação trabalhista desatualizada para a lavra subterrânea e uma matriz de energia renovável, mas mal distribuída. No Vale do Jequitinhonha, a energia existe, mas demora a chegar. Falta também funding adequado, já que o setor tem muitos junior miners que precisam de capital, mas os colaterais das linhas públicas só cabem no bolso das grandes mineradoras. Hoje, cerca de 85% do lítio mundial vai para veículos elétricos e 10% para baterias estacionárias, segmento que deve crescer de três a quatro vezes mais rápido que a eletrificação veicular na próxima década. A perspectiva é excelente, mas não há oferta para tanta demanda. E a principal aplicação do lítio hoje não é a bateria, é a saúde. Sem o carbonato grau farmacêutico, que abastece o SUS, muita gente teria problemas psiquiátricos sérios.

Renato Gonzaga: O projeto Monte Alto, que desenvolvemos na Bahia, é um dos principais projetos globais de terras raras e tem uma particularidade. Ele nasce com a ambição de avançar um elo a mais na cadeia de valor. Na primeira etapa produzimos um carbonato misto de terras raras e, depois, planejamos uma planta de separação de óxidos, gerando produtos como o NdPr, que responde por 85% do mercado. Qualquer empresa que se proponha a isso já fala de bilhões de dólares em capital. O Brasil tem energia, reagentes, logística e portos a favor, mas falta financiabilidade. Por isso, o capital vem da Austrália, onde somos listados em bolsa, porque essa profundidade de mercado não existe aqui.

Marisa Cesar: Nós passamos pela chamada do BNDES com a Finep, que aprovou 56 projetos, dos quais 45 percorreram todas as etapas. O problema é que, para acessar essas linhas, do Fundo Clima ou do Fundo de Inovação, é preciso ter garantias vinculadas a ativos, como planta e produção, que empresas em fase de exploração ainda não têm. Na Austrália, o governo oferece grants, afundo perdido, de cerca de 50 milhões de dólares para o início do processamento. Aqui, esse instrumento não existe.

Emerson Souza: Trago uma conexão indireta, o ferro verde, o HBI, o ferro de redução direta. A siderurgia responde por 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, e não existe aço verde feito a partir de ferro comum. Só 3% do minério de ferro do mundo é apto para isso. Com a taxação de carbono da Europa e os subsídios que Europa e Ásia dão à descarbonização, projeta-se um déficit de 109 milhões de toneladas anuais desse ferro de alta pureza a partir de 2030. É um tema ainda à margem dos minerais críticos, mas que vai se tornar central.

Douglas de Souza Baldo: Na Mineração Taboca produzimos estanho para solda de componentes eletrônicos, folha de flandres, que reveste latas de alimentos, e tântalo, usado em semicondutores. Exportamos 90% do estanho e 100% do tântalo, sempre como metal refinado, nunca como concentrado bruto. No ano passado fomos adquiridos por um grupo chinês e, há poucas semanas, em reunião com o China Development Bank, ouvi uma oferta de financiamento sem que eu tivesse pedido nada. Essa corrida começou há muito tempo.

Valor: Por que o financiamento público não chega a essas empresas, mesmo quando os projetos já foram aprovados?

Vinícius Alvarenga: Nós fomos contemplados tanto no Fundo Clima quanto no Fundo de Inovação da Finep, e não vamos acessar o dinheiro. Mesmo com produção e planta em operação, o BNDES não aceita o próprio recurso mineral como garantia. Exige colateral tradicional, como uma carta fiança de grande banco, e isso encarece tanto o crédito, que sai mais barato buscar financiamento lá fora.

Marisa Cesar: O mesmo aconteceu com projetos que têm licença prévia e de instalação, como o nosso. Temos uma linha de crédito internacional com mais de 12 bancos e títulos emitidos nos Estados Unidos. É difícil, para uma empresa brasileira, defender o uso do BNDES quando a estrutura de garantia exigida aqui é mais complexa do que a que temos lá fora.

Renato Gonzaga: Talvez falte ao mercado financeiro brasileiro profundidade e conhecimento sobre o próprio setor. Quando você está apto a oferecer as garantias exigidas, é sinal de que não precisa mais do BNDES. Por isso, as empresas recorrem a capital australiano e canadense, onde há bolsas específicas para mineração e um instrumento consolidado, o resource-based lending,que aceita o próprio recurso mineral como colateral.

Pablo Cesário: Esse é um ponto essencial. Setenta por cento dos investimentos em mineração no Brasil vêm de capital estrangeiro. Em minerais críticos, esse percentual sobe para 80%. Não existe, hoje, capacidade de financiamento no país compatível com o que o setor precisa. O BNDES é bem-vindo, mas está longe de suprir essa demanda, assim como aconteceu no Canadá e na Austrália antes de eles mudarem suas políticas.

Sérgio Leite: Uma notícia positiva é que o BNDESPar, a subsidiária de participações do BNDES, voltou a atuar depois de anos ausente. É o tipo de equity que os americanos vêm usando para destravar seus próprios projetos estratégicos.

Vinícius Alvarenga: Só que isso não pode ser a única resposta ao problema do colateral, porque nem todo mundo vai querer abrir capital ao BNDES como opção.

Sérgio Leite: Concordo, mas é um sinal bem-vindo.

Valor: Como vocês veem a intenção do governo brasileiro de adensar a cadeia produtiva da mineração, a atração de investimentos e a questão do nacionalismo no setor?

Vinícius Alvarenga: Um debate equivocado é que o recurso mineral tem que ficar no país para garantir essa indústria no Brasil. Para nós todos, se houvesse um adensamento da cadeia, um mercado interno robusto, seria muito melhor vender no mercado interno. É muito melhor do que você exportar grandes parcelas, você tem uma distribuição de financiamento prevista. Do ponto de vista tributário, também compensa muito mais a venda no Brasil do que a exportação por causa de compensação de créditos e débitos. Então não é necessário criar nada para nos incentivar a vender no Brasil, a gente vai vender no Brasil. Mas cada player tem a sua posição na cadeia produtiva.

Renato Gonzaga: Existe uma falta de compreensão sobre as indústrias também, da parte de quem formula as leis. Lítio, por exemplo, é uma indústria química. Terras raras é uma indústria química. Então, quando a gente fala que vai gerar um produto, seja ele concentrado, seja ele um óxido separado, isso envolve uma série de etapas. Para se chegar no óxido separado são quase mil operações unitárias. Falta a compreensão quando a gente coloca tudo no saco do minério de ferro. Não é tudo igual. Quando a gente fala de lítio, de terras raras, para colocar uma indústria dessas de pé, é uma indústria química com mil passos hiper-refinados de grande conhecimento de especialização técnica. Cada empresa, com a sua estratégia, vai decidir onde parar, mas cada passo desse tem uma agregação de valor significativo. Existe um investimento pesado, criando valor para os brasileiros. E eu acho que tudo é colocado no mesmo balaio de que o valor está sendo mandado para fora.

Eduardo De Come: Há uma certa confusão porque se tende a ver a mineração só como extrativismo, mas ela já é uma indústria sofisticada. Todos os metais que a gente citou aqui, para serem produzidos, agregam uma tecnologia enorme. E às vezes a gente vai nos Estados e falam sobre os benefícios de verticalizar a cadeia. A questão é econômica. Quanto custa eu avançar um degrau na cadeia? Que retorno eu tenho? Na hora em que você compete com China e com esses outros países que têm uma escala muito maior, você percebe que vai agregar uma escala a mais e vai perder valor. É melhor parar e vender o concentrado. Como no caso das terras raras. Você começa a depender de outras matérias-primas, mão de obra especializada, equipamento, licenciamento, traz tanta coisa, que o que agregou naquele passo a mais não vai valer a pena.

Vinícius Alvarenga: Se você dividir o mercado em upstream, midstream e downstream, sendo downstream os produtos já aplicados, e midstream as refinarias, os melters, as plantas de processo químico no meio do caminho, o que a China fez foi primeiro investir pesado na demanda. Isso fez criar uma capacidade de midstream que desincentiva qualquer player privado a investir em seus países. Então, ela fez um dumping estratégico, criando uma supercapacidade. Hoje, no lítio, eles estão com uma ociosidade de 40% no midstream. Então, como se quebra isso? O concorrente não quebra. A não ser um desejo geopolítico de alguém que quer criar uma cadeia midstream. O mundo inteiro fala em uma cadeia “China free”, mas ninguém paga. Para o setor privado, não compensa concorrer contra essa enormidade de capacidade ociosa que tem na China em tudo. Ao colocar muito capex no midstream, eles criaram uma proteção estratégica.

Pablo Cesário: Existem distorções e práticas desleais nesse mercado, que limitam a concorrência. As soluções passam por preços mínimos ou estoques regulatórios estratégicos, que dão previsibilidade de longo prazo.

Sérgio Leite: Vale lembrar como a China chegou a essa dianteira. Vivi seis anos na China, há cerca de 30 anos, quando levei a própria Vale para lá. Já naquela época me impressionava a quantidade de estudantes africanos nas principais universidades chinesas, muitos fluentes em mandarim em poucos meses. A China identificou, décadas atrás, quem seria seu fornecedor de recursos minerais, formou essas pessoas, criou mercado para seus produtos e ofereceu construir a infraestrutura local. É uma construção estratégica de longuíssimo prazo, que o Brasil ainda não sabe fazer.

Valor: Como está a tramitação do projeto de lei que cria o marco regulatório para minerais críticos e estratégicos?

Pablo Cesário: Conseguimos algo raro, um texto que teve apoio do governo, do PT e do PL ao mesmo tempo, em um tema de altíssima energia política. O projeto cria uma governança para o setor e foi além do que imaginávamos em incentivos. São cerca de R$ 5 bilhões em créditos fiscais diretos e, se o setor mineral tiver o mesmo grau de utilização que a infraestrutura teve com debêntures incentivadas, isso pode significar mais R$ 22 bilhões em benefícios. Ainda há pontos a ajustar. O artigo que cria o conselho de minerais críticos dá poderes muito amplos, sem parâmetros claros de prazo ou abrangência. Ele deveria se limitar a registrar e acompanhar, como prevê a Constituição, e não filtrar investimentos.

Vinícius Alvarenga: Se os poderes desse conselho não forem bem definidos, todo mundo vai ter receio de investir aqui. Essa é a pergunta que realmente importa.

Pablo Cesário: Entendo o temor, mas hoje, para investir em minerais críticos no Canadá, na Austrália, nos Estados Unidos ou na União Europeia, também é preciso passar por um comitê que avalia projeto a projeto. Nos Estados Unidos, quem deveria submeter um negócio e não o fez pode receber multa de US$ 800 mil e ver o negócio revertido, sem prazo definido. O mundo mudou, e a questão é fazer esse controle de forma bem desenhada.

Marisa Cesar: Também é decisivo o avanço do licenciamento ambiental. Se a nova licença especial para minerais críticos, com prazo de 12 meses, for aprovada, isso muda a percepção do investidor estrangeiro sobre o Brasil. Quando levamos nossos sócios australianos para conversar com o governo, foi essa previsibilidade regulatória que os convenceu a comprar o projeto aqui.

Valor: De que forma o Brasil deveria aproveitar essa vantagem de reservas minerais em negociações comerciais, em um momento de tensão entre Estados Unidos e China?

Marisa Cesar: Precisamos de uma política de Estado para minerais críticos, e não de arranjos isolados que cada empresa constrói sozinha com os Estados Unidos, a União Europeia ou o Reino Unido. Esses países têm duas coisas que nos faltam, dinheiro e tecnologia, e nós temos os recursos minerais. Se montarmos esse ecossistema com uma estratégia clara, a gente pode ser o petróleo do século XXI, ou um novo agro.

Pablo Cesário: O desafio agora é criar um regime que junte, de um lado, os grandes países mineradores, como Brasil, Austrália, Canadá, Indonésia e Chile, e, do outro, as grandes potências consumidoras. O Brasil tem uma vantagem que nenhum desses países tem, pois conversa de igual para igual com chineses, americanos e europeus. Não é diferente do que originou a Agência Internacional de Energia ou a Opep. Poderíamos pensar em algo como uma Opep mineral.

Vinícius Alvarenga: Diferentemente do petróleo, porém, dois terços do midstream mineral do mundo estão hoje na China. Mesmo que os países produtores se juntem do lado da oferta, é o mundo inteiro contra a China nesse processamento. E nem mesmo os americanos têm dinheiro para bancar sozinhos um preço mínimo para todos os minerais.

Pablo Cesário: Ainda assim, sentar-se à mesa dá alavancagem, e a China também vai precisar do nosso recurso em algum momento. No caso do tântalo, por exemplo, a alternativa é o Congo, que enfrenta conflito armado. Não é uma aposta fácil, mas é a que temos.

Valor: Que percepção a sociedade brasileira tem do setor?

Vinícius Alvarenga: A mineração brasileira é a mais sustentável do mundo. Nossa matriz elétrica é praticamente toda renovável, e a recirculação de água em operações sensíveis, como no Vale do Jequitinhonha, passa de 90%. O problema é que nunca conversamos com a sociedade como outros setores fizeram. Isso alimenta o preconceito de que a mineração é uma atividade extrativista, de baixo valor agregado, quando na verdade é uma indústria sofisticada, que investe em pesquisa e emprega mão de obra altamente qualificada.

Eduardo De Come: E vale reforçar esse ponto. A mineração já é uma indústria sofisticada, não um simples extrativismo, e tudo o que produzimos carrega uma agregação e uma tecnologia enorme. Há valor na indústria como ela é, e nem sempre é preciso entregar o produto final para que ela seja relevante.

Marisa Cesar: E, ainda assim, a mineração é mais cobrada do que outros setores, só que isso não chega à mídia da mesma forma. Na PLS, desde que chegamos a um território, fazemos o que chamamos de letramento minerário com as comunidades diretamente afetadas, além de investir no município antes mesmo de qualquer produção.

Valor: Qual é o principal obstáculo para que esses projetos de minerais críticos saiam do papel rapidamente?

Eduardo De Come: O Brasil pode ser, na maioria dos metais, um protagonista global no upstream, na extração. Tenho mais dúvida sobre a verticalização completa no curto prazo, mas, se destravarmos financiamento e infraestrutura, os investimentos vão acelerar. Hoje uma linha de transmissão leva de dois a três anos para ficar pronta, e formamos poucos engenheiros e geólogos. No Brasil, menos de 15% dos formados em ciência e tecnologia vão para a área, contra até 80% na China. Sem olhar para o longo prazo, corremos o risco de repetir um voo de galinha.

Renato Gonzaga: Se o Brasil quer, de fato, ser protagonista na cadeia global da transição energética, seja em inteligência artificial, baterias ou veículos elétricos, o caminho é o da integração, não o do isolamento. Isso exige previsibilidade regulatória, que se traduz em menor custo de capital. O potencial geológico não é o problema. O que falta é decisão.

Marisa Cesar: Faltam também rapidez e agilidade na tomada de decisão. Precisamos de uma política de Estado que impulsione os projetos em andamento e dê mais capacidade técnica a agências como a ANM e o Serviço Geológico do Brasil, hoje com apenas 27% do território mapeado. Sem esse mapeamento, é difícil até dimensionar o potencial que o país tem.

Fonte: Bate-papo sobre o momento ímpar do Brasil no setor de exploração de minerais críticos