Brazil Iron quer produzir “ferro verde” com gás natural na Bahia.

Empresa afirma já ter certificado 1,7 bilhão de toneladas de minério de ferro de alta pureza.

Brazil Iron quer produzir “ferro verde” com gás natural na Bahia.

Por Gabriel Chiappini
19/05/2026

A Brazil Iron quer transformar uma jazida de minério de ferro no centro-sul da Bahia em uma plataforma de produção de ferro descarbonizado voltada ao mercado internacional, apostando no gás natural como rota de redução de emissões.

O plano é utilizar gás natural na primeira fase do projeto, apostando em uma redução inicial de mais de 70% das emissões em comparação às rotas tradicionais da siderurgia baseadas em carvão. O restante pode ser capturado ou compensado.

O projeto, com o início das operações previsto para 2030 ou 2031, estima investimentos de US$ 5,7 bilhões e mira a produção de HBI (Hot Briquetted Iron), insumo intermediário entre minério de ferro e o aço, considerado estratégico para a nova era da siderurgia.

Segundo Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da companhia, que tem sede em Londres, a mineração representa apenas uma pequena parcela do empreendimento.

“Hoje, é um projeto de produção de HBI”, afirma o executivo em entrevista à agência eixos.

De acordo com ele, entre 10% e 20% do Capex está ligado à atividade mineral propriamente dita.

“O resto é siderurgia, é logística”, explica.

A empresa afirma já ter certificado 1,7 bilhão de toneladas de minério de ferro de alta pureza na Bahia, com potencial de ampliação das reservas, nos municípios dee Piatã, Abaíra e Jussiape.

O diferencial do ativo, segundo Souza, está na qualidade do minério e na baixa presença de contaminantes e na maleabilidade, características consideradas essenciais para a produção de HBI.

“Descobrimos que estávamos em cima de um material que não era só simplesmente uma oportunidade de exploração mineral, mas era uma oportunidade de transformação da cadeia siderúrgica global”, conta.

Gás natural agora, hidrogênio depois

“O plano para a primeira fase é gás natural, pensando em algo que a gente já tem à mão”, afirma Souza.

A companhia também monitora a possibilidade de uso de biometano na região, o que poderia ampliar ainda mais a descarbonização do produto final.

Já o hidrogênio verde aparece como uma aposta futura, condicionada à evolução tecnológica e econômica do mercado.

“Temos o plano do hidrogênio verde, ele está contemplado, mas ainda é uma incógnita”, afirma.

Segundo o executivo, a empresa trabalha com um horizonte de quatro a cinco anos até o início das operações e considera que o cenário tecnológico pode mudar significativamente nesse intervalo.

“Se nada mudar, a primeira fase será com gás natural, o que já vai nos garantir uma redução de mais de 70% de emissões”, diz.

Para neutralizar as emissões remanescentes, a companhia avalia alternativas como captura e armazenamento de carbono (CCS), além da aquisição de créditos de carbono.

“Nosso objetivo é que o produto já saia 100% verde”, afirma Souza.

Ainda assim, o hidrogênio verde permanece no radar da empresa.

“Se o hidrogênio decolar do ponto de vista econômico, seremos player nesse mercado com certeza absoluta. Vamos ter uma planta na mesma área para a produção de hidrogênio verde”.

Mercado externo impulsiona projeto

O foco comercial da companhia está nos mercados internacionais, especialmente Europa e Ásia, onde cresce a pressão regulatória por descarbonização da indústria siderúrgica.

Segundo Souza, o HBI verde produzido na Bahia poderá alcançar preços significativamente superiores ao minério de ferro tradicional.

“Hoje, ele já tem um valor de mercado de algo em torno de 350 dólares a tonelada”, afirma.

A empresa aposta na combinação entre o avanço de políticas climáticas internacionais e o déficit esperado de oferta global de insumos siderúrgicos descarbonizados para sustentar a demanda futura.

Foto: Divulgação

Fonte: Brazil Iron quer produzir “ferro verde” com gás natural na Bahia