Ouro e cobre puxam alta nas exportações este ano.

A demanda global por ativos de reserva de valor e minerais estratégicos para a transição energética está em alta.

Ouro e cobre puxam alta nas exportações este ano.

Por Domingos Zaparolli — Para o Valor, de São Paulo
29/04/2026

 

As perspectivas são positivas para a indústria de mineração brasileira em 2026. No primeiro trimestre do ano, a faturamento do setor atingiu R$ 77,9 bilhões, o que representou um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O ano de 2025 já havia sido considerado bom pelo setor, com faturamento de R$ 298,8 bilhões, um aumento de 10,3% em relação a 2024. As exportações somaram US$ 46,12 bilhões.

Para 2026, o Ibram projeta um cenário de recordes nas exportações minerais brasileiras, impulsionado pela alta demanda global por ativos de reserva de valor, como o ouro, e minerais estratégicos para a transição energética. “Vamos ter um ano bastante positivo”, afirma Pablo Cesário, CEO do Ibram.

A expansão do faturamento do setor reflete principalmente a valorização no mercado internacional de alguns dos principais itens da pauta mineral brasileira. O preço do ouro subiu 70% na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. O país faturou US$ 2,34 bilhões com a exportação do metal nos três primeiros meses do ano, um crescimento de 89% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, as exportações cresceram 8,7%, com 18,3 toneladas embarcadas.

“A valorização do ouro foi abrupta e forte, pode retroceder um pouco nos próximos meses, mas não vai retornar aos valores anteriores. Houve uma mudança de patamar”, diz o consultor Afonso Sartorio, líder de energia e recursos naturais da EY. Para Sartorio, o ouro continuará gerando bons resultados para a balança comercial brasileira.

O cobre, mineral estratégico para a transição energética devido à sua alta condutividade elétrica e térmica, registrou uma alta em seu preço internacional de 37,5% entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, e a expectativa é de que o movimento de valorização continue no ano. Nos primeiros três meses de 2026, o metal se posicionou como o terceiro item na pauta de exportação mineral do Brasil, com vendas internacionais de US$ 1,58 bilhão, um crescimento de 65,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

As vendas no exterior de nióbio, a quarta substância mais exportada pelo país, somara US$ 604 milhões no primeiro trimestre, um aumento de 13,6% em relação ao mesmo período de 2025.

O minério de ferro, principal item da pauta de exportação mineral brasileira, mantém seu preço internacional estável, registrando uma média de US$ 104 por tonelada no primeiro trimestre deste ano. As exportações do metal no período foram de US$ 6,15 bilhões.

Em 2025, o país registrou recorde com embarques internacionais de 416,4 milhões de toneladas de ferro, um alta de 7,1% em relação ao ano anterior, mas a receita obtida no exterior caiu 3%, gerando US$ 28,96 bilhões. Para 2026, o Ibram estima um volume de exportação equivalente ao de 2025, mas alerta que a receita com vendas internacionais pode sofrer novamente um leve recuo no ano.

O ano de 2025 marcou o início das atividades de mineração de minério de ferro no Projeto Simandou, na Guiné, pertencente à Rio Tinto e um consórcio de empresas chinesas. O minério é de alto teor de ferro (65%) e capacidade de produção é de 120 milhões de toneladas por ano.

“O ouro não vai retornar aos valores anteriores. Houve uma mudança de patamar” Afonso Sartorio

Segundo Sartorio, o Projeto Simandou vai gerar um novo equilíbrio no mercado, com minério de alta qualidade produzido na Guiné substituindo depósitos de exploração antiga e de baixos teores ferrosos, principalmente na Austrália. A produção da Vale deverá ser pouco afetada. A companhia brasileira projeta produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026. No ano passado, produziu 336 milhões de toneladas.

O “guidance” de investimentos da Vale para 2026 está estimado entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões. Deste total, US$ 3,9 bilhões serão destinados à produção de minério de ferro e o restante para as operações de cobre e níquel da companhia.

A previsão do Ibram é que os investimentos em mineração no Brasil somem US$ 76,9 bilhões até 2030. A projeção de recursos para o minério de ferro soma US$ 19,8 bilhões. O cobre é a segunda substância que desperta mais interesse dos investidores, US$ 8,62 bilhões.

A Brazil Iron desenvolve um projeto “greenfield” de minério de ferro integrado com uma unidade de produção de ferro briquetado a quente (HBI na sigla em inglês), também conhecido como ferro verde, que, por sua pureza superior a 93%, proporciona uma redução nas emissões de gases de efeito estufa no processo siderúrgico. O investimento é de US$ 5,7 bilhões.

O projeto, que ainda depende de licenciamento ambiental, contempla a extração de ferro em uma mina em Piatã (BA) e uma unidade de beneficiamento nas proximidades do futuro Porto Sul, projetada para Ilhéus, na Bahia. A previsão da empresa é iniciar a operação em 2030, com capacidade de 5 milhões de toneladas por ano de HBI que serão destinadas à exportação. “Já temos dez anos de produção completamente comercializadas”, diz Emerson Souza, vice-presidente de relações institucionais da companhia.

Em Carajás, no Pará, a canadense Ero Copper em parceria com a Vale Base Metals (VBM), está desenvolvendo o Projeto de Cobre-Ouro Furnas. O investimento estimado é de US$ 1,3 bilhão. O projeto deve produzir, em média, 70 mil toneladas de cobre, 111 mil onças de ouro e 532 mil onças de prata por ano.

A decisão de investimento ainda não foi oficializada pelos sócios, mas tem parecer favorável. “É um projeto bastante atrativo do ponto de vista financeiro, que demanda baixa densidade de capital para uma mina com vida útil de 24 anos”, afirma Makko DeFilippo, CEO da Ero Copper. A implementação levará três anos. “O mundo precisa de cobre para a transição energética e precisa agora. O Brasil é um lugar importante para atender essa demanda”, diz.

“O mundo precisa de cobre para a transição energética e precisa agora” Makko DeFilippo

 

Foto: Divulgação

Fonte: Ouro e cobre puxam alta nas exportações este ano.